segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

049º 29/05/2006

Eu estava ali. Tinha me acordado
No meio da aquela confusão
Olhei para todos os lados
E só vira loucos
Pensei, como é que eu,
Fui para ali?
Uma camisa de força
Vestia o meu corpo
Eu estava no sufoco
Como a um desesperado
Querendo se soltar
Tentei gritar não deu
Minha língua tremia
O formigamento tomava
Todo meu paladar
E em seguida já estava
Em meu corpo inteiro
Só queria ser o primeiro
A tentar subornar o enfermeiro
Minha voz não saía
Um gemido e umas lágrimas
Caíram do meu rosto
Pude sentir o desgosto
De febre que sentia aqueles loucos
O rancor e o ranger dos dentes
Quando eles vinham
Na certeza de humilharem
A todos que estavam ali
Meu corpo não pode resistir
Com todo meu corpo cai
Minha cabeça bateu e eu adormeci...

Quando me despertei mais uma vez
Estava dentro de um quarto
Era pequeno e mal cabia meu corpo
A camisa de orça já não existia
Estava solto mais preso no quarto!

-- Tudo é conseqüência da vida.
Seus homens tolos
Não vêem que não sou louco?
Há, (risadas)
Pensam que estou louco? Vejam?
Loucos não falam que são loucos
Porque loucos são vocês
Que pensam que sou louco!
Uma pessoa alta vestindo
Um uniforme laranja
Chegou-me e falou
Se eu não calasse
A minha boca teria que dar
Um sossega leão
Falou com firmeza
Com ar de todo poderoso
Por um minuto permaneci calado

Já era tarde teríamos de tomar
Um banho de sol
Saí pelos corredores com alguns
Enfermeiros e os loucos
Eram salas, corredores, banheiros,
Aparelhagens todos imundos
Cheguei a um pátio que o sol
Batia ardorosamente minha pele

No aquele campo
Uns loucos gemiam, outros sorriam,
Choravam, dançavam, baixava-se,
Subiam, giravam, gritavam, dançavam,
Cumprimentavam, beijavam-se.

Uma mulher com uns cabelos esbranquiçados
Já com os seus cinqüenta ou mais
Falava que ela era um ser supremo
Mandada por Deus para salvarem as pessoas
Da grande escravidão do mal

Ela se aproximou de me e pediu as minhas mãos
Olhou em meus olhos e suavemente
Coloquei minhas mãos nas delas

30/05/2006
Começou a falar do meu passado
O seu passado estar mostrando
Que você não é louco.
Você veio parar aqui por intriga
Brigas de heranças de família
Suas idéias são opostas a todos
Eles não lhe aceitam e querem lhe julgar
Logo tudo vai tomar seu rumo
E terá tudo aquilo que almeja

Revirou seus olhos
E saiu chorando...

Depois do banho de sol
Começou a visita diária
Uma mulher veio ao meu encontro
Que me era familiar, não me lembrava.
A anestesia tinha feito esquecer cada detalhe;
Do meu passado
Nem me lembrava quem eu era
-- Ó, meu Filho, tudo bem?
Lembrei quando eu era bem pequeno
Com aquelas mãos me acariciando e ninando
Cantarolava uma canção de roda
Só para me ver dormir
Das quedas que levava e ela sempre
Vinha ao meu socorro
Fazendo com que sempre me sentisse bem
Das noites quando em febre o socorro merecia

Logo ela chegou, foi logo falando...
Logo mais estará em casa!
A minha internação seria por pouco.
Ao término da visita
Voltei para o quarto

Três dias depois a mesma pessoa
Viera me pegar
Era ela a minha mãe
Eu estava feliz por vela também
Por vê-la me socorrendo novamente
Saímos com as mãos coladas
Meu corpo ainda sentia o inchaço
De picadas dos medicamentos
Dos tranqüilizantes em todos os lugares
Abalado estavam os meus nervos
Tentava me controlar
Quando cheguei a uma casa
Minha mãe fez-me deitar
Tranqüilamente adormeci...

Nenhum comentário:

Postar um comentário